quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Cores do Vento


Lá já ia a menina para suas tarefas. Tão dedicada!

Todos os dias em que subia um pequeno elevado de solo para aquele Instituto, olhava para os pés, afinal o All Star sempre deveria estar muito branco. Foi então que o destino quis que ela olhasse para o lado. Uma brisa leve e suave batia e fazia com que a grama estimulasse a dança das folhas. Eram três, secas e amareladas. Mas dançavam tão belamente que a menina queria parar ali para admirá-las. O vento ajudava bastante, para o maior deslumbre dos cachos e do all star branco. Pareciam pequenos pássaros que brincavam uns com os outros. Queria ficar ali vendo toda essa simplicidade, sentar no verde e ficar observando o Lago Açu.

Mas era hora de trabalhar. Subiu na bicicleta e foi.

domingo, 4 de julho de 2010

Meados de 70


Era um momento bem energizante e ele sabia disso porque seus pais o vestiam de verde e amarelo umas duas vezes por semana. Sabia pouco da vida, mas já conseguia identificar cores.
Iam todos para sua casa, ligavam a televisão e, ao invés de assistirem Tom e Jerry, viam uma coisa meio corrida, rápida demais para ele acompanhar.
Olhava pra mamãe que o afagava em seus braços como se perguntasse o que estava fazendo com tanta gente lá.
E quando todo mundo gritava junto a mesma coisa? Era ensurrecedor. Ficava assustado e começava a chorar. Logo já vinha alguém dizendo algo que ele não entendia, mas gostava.
Todas as semanas daquele mês de junho foram a mesma coisa. O chaqualhavam de um lado para o outro, cantarolando músicas engraçadas e de bom tom. No fundo, ele se divertia.
E aprendeu a ganhar gosto pela coisa. Tentava fazer igual com o irmão, depois que assistiam. Tinha 2 anos, mas já sabia: Argentino é tudo maricón!

sábado, 26 de junho de 2010

Eita moça!


Lúcia não andava muito animada com a vida não. Pra falar a verdade, ela preferia morrer. É, morte súbita. Nada dava certo. Seu trabalho de apenas carimbar as inúmeras cartas com as declarações de quanto cada estúpido rico ganhava em cima de outros era desesperador.
Em uma tarde de terça-feria, resolveu sair. Abandonar tudo e ir ao encontro do divino. Pegou cada artefato importante sentimentalmente, colocou no bolso, entrou no carro de 95 e partiu.
Para onde iria ela não fazia idéia, mas foi. Viu pessoas apressadas nas enormes ruas de São Paulo e teve pena delas. Pensou: "Que pena que não podem simplesmente morrer, como eu. Elas são muito importantes, não como eu."
Abandonou o carro, com chave e tudo depois de dezoito quarteirões e resolveu andar.
Pensava na vida, nas crianças e no cachorro. Sinceramente, acho que ela pensava mais no cachorro.
Andou por alguns terríveis minutos antes do adeus e achou um lugar ideal: um ferro velho. Foi entrando sem medo, sem escrúpulos e peso.
Pegou um porta retrato com a foto dele. Passou a mão pela cabeça e percebeu que tinha esquecido justamente o artefato para o suicídio. Virou-se correndo, tentando lembrar onde estava o carro, decididamente brava.
Foi quando apareceu aquele senhor, dono do local, perguntando o que aquela menina linda e ruiva queria num local tão sujo. Ele era tão simpático, tão adorável que Lúcia até aceitou tomar um chá.
Conversaram sobre o universo, as estrelas e como o depósito ficava misterioso a noite. Escureceu e ela continuou.
Desistiu de morrer, desistiu do trabalho e do carro perdido. Finalmente achara uma emoção.
Agora todos os dias Lúcia só quer saber do seu chazinho das cinco com seu novo amigo, Seu Generoso.

domingo, 16 de maio de 2010

Alguém me leva para um mochilão?
Preciso voar!

Erva Doce


Apesar dos pesares, ela passava creme para as mãos. Pintava de todas as cores possíveis para fortalecer... apenas as unhas, não o coração.
Elogiavam o cabelo, várias pessoas. Quem ela realmente queria? Não.
Começou a abrir mão de tudo. Janaína só queria estudar agora para ganhar dinheiro. Esta questão a aflingia.
Queria viajar pelo mundo, falar novas línguas e dançar.
Ah! Como queria dançar. Tirar fotos de flores, animais e gente.
Mas ela estava lá... tão só, tão sem bolso, tão sem unha grande.

domingo, 9 de maio de 2010

Hunf


Queria ter idéias, pensamentos novos e interessantes.
Fico parada, sem fazer nada, com vontade de escrever.
Sem historinhas de amor nem de cansaço.... Cansei.
Está frio e o inverno finalmente chega.
O coração palpita pois o cérebro crê que algo sairá das entranhas de poucos dedos e algumas inovações.
Porém um segundo se passa e... foi!


"Gastei uma hora pensando um verso, que a
pena não quer escrever."

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Pente que te penteia


Acordava as seis da manhã pela mãe e ia se arrumar.
Penteava o cabelo (que não gostava). Ele parecia uma vassoura.
Tinha vergonha.
Tomava café com bolachas. Era barrigudinha, de olhos castanho escuro.
E lá ia, com a fé e a coragem para mais um dia de aprendizado.
Conhecia muitas pessoas, afinal era bem simpática.
Amigas lindas, loiras com cabelos alisados. E o dela lá, vassourinha sem cachos (perdidos pela escovação).
Quando ele passava! aaah, inspiração!
Era só coleguinha, nunca olhara de outra forma para ela.
Sempre preferiam as de cabelo liso.

Ela cresceu e resolveu assumir seus cachos.
Passava creme para moldá-los e ficava esbelta. Era totalmente diferente do resto da população (formolizada) que frequentava o ambiente escolar. E sentia orgulho disso.
Saía com as amigas e, na maioria das vezes, perdia paqueras para elas.
Tudo por causa do cabelo, pensava.
Até que jogou tudo para o alto e se descobriu ainda mais bonita.
Era a única diferente das nove do grupo e por isso se destacava.

E não é que ela achou o amor?